Blog

Missão Bolívia: intercâmbio humanitário estimula a segurança alimentar na Bolívia

Missão Bolívia
Missão Bolívia

Por Stephane Champagne, CEO do Segmento de Energia & Recursos

Uma experiência repleta de vivências e aprendizados! No final de 2018, eu, Stephane Champagne, da Sodexo tive a oportunidade de viajar em uma missão humanitária do World Food Programme (WFP) e o Instituto Stop Hunger para visitar escolas na região de Entre Rios, na Bolívia, com o objetivo de verificar as dificuldades das mães voluntárias que cozinham nas escolas de baixa renda da região e instruí-las sobre a segurança na manipulação e preparo dos alimentos.

Com refeições diárias para mais de 40.000 crianças só na Bolívia, o programa de alimentação escolar do WFP enfrenta desafios variados. Durante minha viagem de duas semanas, visitei 11 escolas e conferi de perto algumas dessas dificuldades. Vocês podem acompanhar os detalhes da viagem a seguir, no meu Diário de Bordo.

Primeira Semana

Saí do Brasil no dia 11 de novembro e no dia seguinte já tive uma reunião com a equipe do World Food Programme (WFP) em La Paz para definir o cronograma das minhas visitas às escolas de Entre Rios. Entre Ríos, é uma região da Bolívia, localizada entre quatro vales com climas e faunas totalmente diferentes um do outro e com muita dificuldade de acesso.

Missão Bolívia
Missão Bolívia

Nossa primeira parada foi em Ibopeity, uma pequena escola. Chegamos logo quando uma mãe voluntária começava a preparar a comida naquele dia. Ela caminhou cerca de duas horas da sua comunidade até a escola carregando a lenha para cozinhar. A primeira coisa que eu sugeri foi que lavasse as mãos, e ela respondeu que seria ótimo, mas que não havia água ali. Neste momento, você cai na real sobre o problema de estrutura que a pessoas vivem nessas regiões remotas.

No segundo dia, visitamos a Zapaterambia, uma escola grande com 130 alunos, que fica em uma região seca e também passa pelo problema de falta de água, que chega apenas através de caminhões. Porém um dos problemas que mais nos chamou a atenção foi a quantidade de cachorros que estavam circulando no local, que precisavam ser treinados e limpos.

Como tudo depende do envolvimento dos diretores, professores e voluntários, cada escola tem uma estrutura e problemas bem diferentes uma das outras. Como voluntário, você não pode impor nada e todo o trabalho gira ao redor disso: dar recomendações, mas sem parecer que está invadindo o espaço dos outros.

Missão Bolívia
Missão Bolívia

No outro dia, em Vila Mercedes foi uma surpresa! Uma escola com uma estrutura super legal, muito bonitinha, limpa, com um professor muito envolvido em todos os processos e uma horta fantástica! O maior problema era o poço de onde a água era retirada, que não estava com estabilidade ou a estrutura adequada para uso.

Já Josecito Norte, que conhecemos no quarto dia, era uma escola localizada em uma outra região mais úmida. Uma coisa preocupante que vimos lá era a queima do lixo plástico nos fornos em que as refeições eram preparadas, o que pode deixar resíduos tóxicos, prejudiciais a saúde das crianças.

Segunda Semana

Na segunda semana, tivemos certa dificuldade para chegar às escolas, já que havia chovido muito durante a noite. Encontramos até uma serpente em um dos dias, mas nada que causasse problemas, só a emoção da surpresa.

Missão Bolívia
Missão Bolívia

A escola La Cueva, que conhecemos no segundo dia desta semana, era grande, bem mais organizada e com uma estrutura melhor. Porém, o problema era que, por conta de uma equipe reduzida  de cozinheiras, o preparo das refeições precisava ser iniciado muito cedo, deixando os alimentos expostos à temperatura ambiente, aumentando assim os riscos de contaminação.

Missão Bolívia
Missão Bolívia

Bem mais perto da cidade, a penúltima escola que conhecemos foi Pajonal. Com uma estrutura mais organizada e cozinheira permanente, diferente das outras instituições que vimos anteriormente. No entanto, a cozinha era muito antiga, com fuligem nas paredes, e desta forma fora das indicações de higiene adequadas.

Missão Bolívia
Missão Bolívia

Finalizamos essas duas semanas com Los Naranjos, uma escola fantástica com uma horta incrível, que tem o envolvimento dos alunos como parte da rotina escolar. O rendimento da horta vem do excesso da produção, financiando algumas atividades da escola. Senti realmente uma alegria ao vê-los almoçando juntos, com a responsabilidade e dedicação!

Além das escola que contei, também visitei Kumandaroty, Rio La Sal, Supitin e Cahuarina.

No geral, Infelizmente, a infraestrutura ainda é muito pouca nesses locais, metade das escolas que visitamos ainda cozinhavam no chão, o que é ruim, além de armazenarem alimentos em locais sem circulação de ar. São questões básicas de higiene e armazenamento, mas que não sendo respeitadas podem prejudicar a saúde dos alunos. Por isso é de extrema importância a visita de pessoas que as ajudem e ensinem os processos corretos.

Vivências que ficam na memória.

É fantástico poder participar de um programa humanitário, o retorno pessoal foi imenso. Você ganha vivência, ganha momentos que nunca irá esquecer.

Eu espero ter feito uma pequena diferença para as escolas com a minha visita. Espero que as minhas recomendações tenham melhorado um pouco dos problemas que eles enfrentam lá diariamente, com atenção especial aos voluntários, infraestrutura e a manipulação dos alimentos, para aumentar a qualidade das refeições e vida dos estudantes.

Além do intercâmbio humanitário, o Instituto Stop Hunger também tem outros projetos. A instituição atua dentro do ecossistema da Sodexo no combate a fome e má nutrição com diferentes atuações e projetos ao longo do ano, como hortas comunitárias e doações.  Clique aqui e saiba mais.

Leia mais

Todos os direitos reservados Webcompany